sexta-feira, 24 de maio de 2013

Drei.

A sensação gelada no fundo da garganta acompanha o deslizar da cápsula gelatinosa e assemelha-se àquela sensação de aperto que aparece segundos antes da constatação de que o choro vai ser longo e copioso. Mas não há lágrimas, não dessa vez.

Porque não chega a ser um sofrimento, nem uma alegria.

Duzentos e cinquenta motivos para pensar que algo finalmente vai entrar no lugar certo. Duzentas e cinquenta chances de ficar um dia inteiro com o mesmo estado de humor. Duzentas e cinquenta hesitações. Duzentos e cinquenta empurrões.

Ironicamente, o número físico relativo das duzentas e cinquenta partículas é cento e vinte e cinco.

Ironicamente de novo, o que foi preciso para que os duzentos e cinquenta pedacinhos de estabilidade começassem a mostrar para que servem foi justamente o que eles tentarão combater.

Duzentos e cinquenta gritos de “eu não quero ficar assim” unidos com duzentos e cinquenta sussurros de “eu não quero ter que fazer isso”.

Mas eu fiz. Duzentas e cinquenta sensações de frio na garganta. E agora as cento e vinte e cinco promessas de que algo vai mudar são “apenas” cento e vinte e quatro.

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