terça-feira, 28 de maio de 2013

Akt 1 - Feuerwerk

Por trás das minhas pálpebras fechadas existe um mundo que só eu posso ver.

A princípio, apenas formas e cores irregulares que surgem e se misturam sem sentido, formando mandalas, quase um caleidoscópio. E então tudo passa a ter cor e forma e luz própria. E eu vejo.

Às vezes, mesmo com os olhos abertos (estarão mesmo?), eu vejo.

Com em um desses sonhos estranhos em que a gente sabe que está sonhando, eu sei que o que eu vejo não está ali, mas está, porque eu vejo - mesmo sabendo que só eu posso ver. A sensação é familiar, já. Só em raras ocasiões que me assusta. Eu já aprendi a evitá-las o mais que posso. Sei que, mesmo que não seja por um motivo "real", o medo é incontrolável. Então eu tomo tanto cuidado quanto posso enquanto exploro essa terra encantada, porque sei que suas bordas são precipícios, e sei que não quero cair neles. Na verdade, tenho vertigens só de pensar. Então evito chegar muito perto.

No mais, apenas sei que o mundo é mais povoado do que percebem, e coisas comuns são mais incomuns do que se pode imaginar. E tenho a vantagem de criar companhia quando estou só, desde que respeite a regra de não chegar perto da borda: uma autonomia controlada. 

Isso cria uma certa cacofonia de vozes e vontades na minha mente, mas no geral a sensação é agradável. Entorpecedora. Me faz evitar, e até esquecer, das coisas desta "realidade" que tanto me incomoda.

Entro no ônibus, fones no ouvido, olhos abertos sem ver. Sentada no meu lugar de sempre, deixo as mandalas se formarem atrás dos meus olhos e sigo em uma viagem além e maior do que o simples trajeto até o metrô.

Nenhum comentário:

Postar um comentário