sexta-feira, 14 de junho de 2013

Akt 5 - Erwacht

É quase uma dedicação ritual.

Não sinto sono, apesar das poucas horas que passei dormindo em relação às que passei acordada. Ou melhor, sinto sono, mas não durmo por saber que agora não posso. Assim como sinto fome, mas não tenho como arranjar comida agora. Também estou ignorando as dores musculares pela tensão e pela imobilidade.

Ainda não sei o que sentir.

A melhor definição que me deram foi "antes de tudo, são seres humanos, e é por isso que você cuida", e eu não posso negar que isso também é verdade.

Também.

Porque estou aprendendo que a verdade não uma coisa uniforme. Ela tem muitos aspectos, cada um com diferentes variações e intensidades, cada um formando uma parte do todo que recebe o nome de "verdade".

Especialmente quando se trata de pessoas.

Outros aspectos da minha verdade são morais. Mas também são egoístas. E alguns até abertamente manipuladores. Há aspectos espirituais também. E há um aspecto que eu detesto, mas também existe e eu não posso negar: a culpa. Essa aí eu tenho que me acostumar a olhar até conseguir chegar perto. E depois de chegar perto preciso catar pelo tronco e arrancar até a raiz, ou tacar fogo, ou dar um jeito de envenenar.

...Envenenar a culpa que me envenena, irônico.

De qualquer forma, inegável o fato que eu sou extremamente forte e capaz. Não creio que qualquer pessoa passaria por tudo isso e lidaria da mesma forma. 

Eu continuo sendo a pessoa mais sã do pedaço. Acho que soltar a âncora me ajudou a me centrar.

Tenho a impressão que eu já havia soltado, na verdade, e só agora notei. Quem sabe.

Por ora, permaneço aqui, em minha madrugada de dedicação ritual, com o sono, as dores, as dúvidas, a força.

É o que eu tenho, e é o que me basta.

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