quarta-feira, 12 de junho de 2013

Akt 3 - Götterdämmerung

O cheiro asséptico do ar filtrado pelo ar-condicionado, o piso claro, antiderrapante. As cores pastel das salas de emergência e da enfermaria.

Cada um de um lado, cada um em um quarto.

Eu agora estou ao lado da maca, na sala de emergência, preocupada, e também preocupada com o que pode estar acontecendo na enfermaria.

Mas de verdade, de verdade, eu queria estar em outro lugar. Ou viver outra vida.

Ele está ressonando calmamente na maca ao meu lado, como se a sujeira, o sangue e o inchaço do rosto não existissem. Ele está anestesiado. Por qual substância, não sei.

A dor que ele ignora veio se esconder na minha garganta.

Ele abre os olhos, "Você está bonita", e sorri. O sorriso faz um pouco de sangue escorrer do canto da boca e do nariz.

Ele apaga, acorda de novo, "Eu queria falar com ela", reclama. Agora é a minha vez de sangrar.

Fico imaginando todas as outras vezes em que ela esteve ao lado da maca, esperando o médico, esperando um milagre.

Agora eu entendo por que ela não queria que eu visse, que eu soubesse, que eu participasse. Ela me queria inocente. É doído ver quem você ama nesse estado. 

Mas agora ela está na enfermaria, e eu estou aqui e tenho que ver. Tenho que crescer

E como dói.

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